Por outros caminhos
Vai, corre ao largo do destino,
Faz da madrugada palco para tuas elaborações.
Despreza a calma e abre-te para a pulsão invasiva
Da vida errante, inebriante, companheira de gargalhadas.
Risca no chão escuro a tua letra cintilante,
Caligrafia desenhada pelas estrelas.
Desconhece o homem, faz dele lembrança distante
E esquece que um dia habitou terras férteis.
Agora só te resta o absurdo,
Incorpóreo, sem face: só força.
Erupção ininterrupta de idéias
Incomodando teu espírito flamejante.
Atira-te ao mar, o mar metropolitano,
Em meio a tempestades de imagens,
Furacões sonoros e tsunamis de informações.
Vale-te das silhuetas desprezadas pelos bons de então,
Condenadas nas escrituras sagradas,
E engravida as artes com o sêmen da criação.
Escreve sem dor, sem espelho e sem herança.
Foge das escolas, dos parabéns, e do reconhecimento.
Rasga qualquer túnica que tentarem te vestir.
Cobre-te com os versos marcados na carne,
Pois o corpo é a tua única gramática.
Injeta na veia do mundo a embriaguês da escrita bailarina
E beija a boca caluniosa que te chamou de poeta.
Leandro Lelis.
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