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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poesia do Flokos

O que não é dito escorre
entre uma e outra linha
o que não é dito fica em silêncio
assinado como uma aceitação
Ta(c/t)i(t/c) a ("o que não é não
é sim"), o que não é dito
é escrito e trancado na gaveta
que fica do lado da cama
gavetas que falam mais do que as mãos e ficam perto do colchão
onde se dorme, também se come, se deita
se morre e se nasce.

O que não é dito escorre
pelo canto da boca e morre em alguma fresta de mim,
nem sempre é escondido, muitas vezes
está tão claro que nem precisa
estar à amostra
como dois e dois são cinco
como três que não se acham
azes de um jogo mal resolvido
que se resolvem em quatro.
                                            FLOKOS

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mais uma do grande Flokos

o sol virá
por detrás das árvores verdejantes
sem se importar
com a aprovação dos passantes
ou com a contribuição dos ouvintes

senhores leitores,
o sol virá, logo mais ele aparecerá,
amarelo e robusto, como um saldo
ou um susto
mais rápido do que o trem bala
e mais doce que os beijos
que não me foram dados.

Deixando nesgas de luz
por cima de qualquer coisa
veja, então, o sol desbravando
a mata verde.

Sem rimas, lá vem o sol
um Cão Sem Plumas, um João Cabral,
um pequeno trem
sem trilhas, sem destino algum.
                                                                      Flokos.

sábado, 9 de outubro de 2010

Bukowiski está morto

converte em valsa
o que te revira a mente
planta a semente
no chão que te maltrata
colhe teu fruto
louco, inconsequente

na flor de tua desgraça
revira das nesgas adormecidas
de fumo, que te enfeitam a barba,
deixa o cabelo a gosto do vento
que te afaga
e deixa um beijo para o amanhecer
de um poeta bêbado:
Bukowiski morreu
mas eu estou vivo.
                                              Flokos e Cabeludo.