segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Poesia do Flokos

O que não é dito escorre
entre uma e outra linha
o que não é dito fica em silêncio
assinado como uma aceitação
Ta(c/t)i(t/c) a ("o que não é não
é sim"), o que não é dito
é escrito e trancado na gaveta
que fica do lado da cama
gavetas que falam mais do que as mãos e ficam perto do colchão
onde se dorme, também se come, se deita
se morre e se nasce.

O que não é dito escorre
pelo canto da boca e morre em alguma fresta de mim,
nem sempre é escondido, muitas vezes
está tão claro que nem precisa
estar à amostra
como dois e dois são cinco
como três que não se acham
azes de um jogo mal resolvido
que se resolvem em quatro.
                                            FLOKOS

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